BARRO E LUZ
17,50€
Ermelinda Xavier
Poesia
2016
#29
Ver sessão de lançamento deste livro na Unicepe
Com muito pesar informamos que Ermelinda Xavier faleceu hoje no Hospital das Caldas da Rainha.
Transcrevemos um poema que escreveu precisamente há 59 anos e outro que é o último do livro “Barro e Luz”.
Depois de 40 anos recusando a publicação dos seus poemas, no lançamento na UNICEPE, em 12 de junho de 2016, terminou as suas emocionantes palavras de improviso dizendo “é o dia mais feliz da minha vida”:
http://www.unicepe.pt/lancamentos/xavier/xavier.html Sugerimos a leitura dos textos de Leonel Cosme e de Domingos de Oliveira: http://www.unicepe.pt/lanca2/barro/barro.html
Porto, 18 de dezembro de 2016
A direção da UNICEPE,
Quando eu morrer ponham-me num museu
que o meu lugar é aí.
Coloquem na vitrina este letreiro:
“Espécie rara de tipo invertebrado
verdadeiramente fenomenal.
Fez poesia. Cursou a Faculdade. Sofreu
entre outras coisas, ausências de dinheiro,
e, como os humanos, pensou no Bem e Mal.
Chegou a convencer-se que era gente.
Mas morreu.
E por tudo isso que o fez diferente
dos outros invertebrados
veio parar à sala de um museu”
18-12-57
Quando eu me for
Seja um fim de tarde
Quando o sol já perde o fulgor
E já não arde.
Que me vá devagarinho
Suavemente
Como pétala de flor
A cair sobre o tampo
De uma mesa
Sem tristeza
Nem dor
Apenas como um eco
Que se cala.
03-03-08